Oblívio

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Literature

Tua presença drena de mim toda a vida, e a dificuldade de livrar-me de ti é enlouquecedora. Percebo que tenho uma grande importância para ti, não como pessoa, como instrumento, como caminho. E como caminho tu pisas em mim diariamente, tentando alcançar algo que desconheço. Apesar de tudo, odiar-te não é o caminho que quero seguir pois isso só nos tornaria parecidos. Enxergar-te no espelho assombraria minha existência eternamente. Sou grato, até, pois aprendi. Aprendi que ao contemplar o que te assusta pelas lentes da tua hipocrisia, tu apenas feres as pessoas ao teu redor. Aprendi a defender-me disso, livrei-me desta corda. Corda uma das muitas que tu colocaste em mim, que tu comandas com a cruzeta da tua autoridade. Tu não és minha titereira. Não sou tua marionete. Não obedeço às cordas de ninguém, e aguardo tua fúria com serenidade quando descobrires que quanto mais próximo de teu aperto tu tentaste me manter, mais eu me libertava. Então colora-me com as cores das tuas frustrações e usa-me como o ser desprovido de vida que tu me transformaste. Saiba, porém, que não é de minha natureza esperar infinitamente por mudança. E enquanto considerar-me uma pessoa é uma ideia que vaga apenas no teu oblívio, minha serenidade te distrai da tempestadade que se forma.

Storm in a Dreamer's Head

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